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27/09/2019 16:34 por Advillage

Estudo aponta manipulação política pelas redes sociais em 69 países

Brasil está entre eles; pesquisa foi conduzida por pelo instituto de estudos de internet da Universidade de Oxford, no Reino Unido

A pesquisa "Ordem Global de Desinformação 2019" identificou evidências de campanhas organizadas de manipulação de mídia social em 69 países, contra 48 países em 2018 e 28 países em 2017. Em cada país, há pelo menos um partido político ou agência governamental que usa mídias sociais para moldar atitudes públicas conforme suas demandas.

O estudo sistemático vem sendo feito desde 2017 pelo The Computational Propaganda Project, do Instituto de Estudos sobre Internet da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Os 69 países citados são: África do Sul, Alemanha, Angola, Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bahrain, Bósnia, Brasil, Camboja, Catar, Cazaquistão, China, Colômbia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Croácia, Cuba, Egito, Equador, Emirados Árabes, Eritreia, Espanha, Estados Unidos, Etiópia, Filipinas, Georgia, Grécia, Guatemala, Holanda, Honduras, Hungria, Índia, Indonésia, Irã, Israel, Itália, Macedônia, Malásia, Malta, México, Mianmar, Moldávia, Nigéria, Paquistão, Polônia, Quênia, Quirguistão, Reino Unido, República Tcheca, Rússia, Ruanda, Sérvia, Síria, Sri Lanka, Suécia, Taiwan, Tadjiquistão, Tailândia, Tunísia, Turquia, Ucrânia, Uzbequistão, Venezuela, Vietnã e Zimbábue.

Nas estratégias, 80% das campanhas utilizaram bots, jargão adotado no setor para denominar robôs que podem ser empregados para diversas tarefas, como replicar conteúdos ou como contas falsas para publicar mensagens automatizadas, assinala a Agência Brasil. Outra modalidade são as contas-ciborgue, nas quais pessoas e bots operam de forma combinada. O Brasil foi indicado como local onde as duas estratégias ocorrem.

Quanto ao tipo de material distribuído, em 89% dos países foi encontrada a difusão de mensagens contra opositores. Em 71% das nações, as campanhas atuaram com a propagação de apoios a governos ou partidos. Em 34% dos casos, foi adotada abordagem de espalhar publicações visando a polarização dos cidadãos e a divisão no país.

A pesquisa também indicou iniciativas via WhatsApp promovidas por agências governamentais em pelo menos 44 nações. Tais participações envolvem desde agências da área de informação até órgãos vinculados às forças armadas. Esse comportamento foi registrado em nações ricas, como Estados Unidos e Reino Unido. O Brasil não foi incluído entre esses casos.

Em muitas situações, tais partidos e governos se aliam a empresas, coletivos apoiadores e organizações da sociedade civil. A prática também se profissionalizou. Em pelo menos 25 países, as iniciativas foram realizadas por empresas cujo negócio trabalha a propaganda computacional como um serviço, ofertando estratégias e ferramentas complexas para a sua execução.

Algumas constatações do relatório de 2019:

• As mídias sociais foram cooptadas por diversos regimes autoritários. Em 26 países, a propaganda computacional está sendo usada como uma ferramenta de controle da informação de três maneiras distintas: suprimir direitos humanos fundamentais, desacreditar oponentes políticos e abafar opiniões divergentes.

• Um punhado de atores estatais sofisticados usa propaganda computacional para operações de influência estrangeira. O Facebook e o Twitter atribuíram operações de influência estrangeira a sete países (China, Índia, Irã, Paquistão, Rússia, Arábia Saudita e Venezuela) que usaram essas plataformas para influenciar o público global.

• A China se tornou um participante importante na ordem de desinformação global. Até os protestos recentes em Hong Kong, a maioria das evidências de propaganda computacional chinesa ocorria em plataformas domésticas como Weibo, WeChat e QQ. Mas o interesse recém-encontrado da China em usar agressivamente o Facebook, Twitter e YouTube deve levantar preocupações no mundo democrático.

• Apesar de haver mais plataformas de redes sociais do que nunca, o Facebook continua sendo a plataforma de escolha para manipulação de mídias sociais. Em 56 países, foram encontradas evidências de campanhas de propaganda computacional formalmente organizadas na rede de Mark Zuckerberg.

• A segunda plataforma com mais casos registrados foi o Twitter, canal escolhido para ofensivas orquestradas em 47 países. Em seguida vêm WhatsApp, YouTube e Instagram. No Brasil, as campanhas de manipulação ocorrem fundamentalmente pelo WhatsApp, pelo Facebook e pelo Youtube.

O Brasil aparece entre os países com capacidade média de tropas cibernéticas. O aparato "médio" envolve equipes que possuem estratégias consistentes, com funcionários em tempo integral, o ano todo, controlando o espaço de informação. Essas equipes de capacidade média geralmente lidam com uma ampla variedade de ferramentas e estratégias para manipulação de mídia social. Algumas realizam operações de influência no exterior. Também estão na lista de "capacidade média" países como Cuba, Índia, México, Reino Unido, Paquistão, Filipinas e Turquia.

No Brasil, os autores apontaram a realização, em 2018, de campanhas por meio do WhatsApp por partidos para “propositalmente difundir ou amplificar desinformação”, conduta também registrada nas eleições da Nigéria este ano.

Acesse o estudo completo aqui (em inglês).

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