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27/01/2017 16:35 por Redação

Um alento no balanço de riscos

Cenário é ligeiramente menos desfavorável neste começo de ano, com uma narrativa mais animadora sobre como será 2017

Boletim Macro IBRE*

O balanço de riscos da economia brasileira tornou-se ligeiramente menos desfavorável neste começo de ano, em relação há alguns meses. Em praticamente todas as áreas da economia começa a ganhar força uma narrativa mais alentadora sobre como será 2017.

Um exemplo claro diz respeito à inflação, que dá sinais mais nítidos de estar cedendo, e mais fortemente do que os analistas esperavam. Um segundo sinal vem do nível de atividade. O indicador da produção industrial de dezembro, quando divulgado, revelará uma elevação robusta da produção física, resultante, principalmente, mas não exclusivamente, do bom desempenho da indústria de automóveis, ônibus e caminhões. Neste último caso, o comportamento está possivelmente associado ao terceiro sinal positivo: uma safra agrícola muito boa, cujo escoamento impulsiona a indústria e os serviços.

Ainda quanto à atividade, outro motivo para moderado otimismo é o esperado efeito sobre o consumo das famílias da tão aguardada liberação dos recursos das contas inativas do FGTS. De fato, a injeção dos cerca de R$ 30 bilhões na conta corrente das famílias ainda no primeiro semestre implicará um aumento de seu consumo não antevisto em nossas projeções anteriores. Dado o peso do consumo no PIB, a aceleração está longe de ser desprezível.

Finalmente, mas não menos importante, no fechamento desta edição do Boletim veio a público o resultado da prévia da sondagem industrial do IBRE, que revelou uma importante reversão da tendência de queda da confiança que havia caracterizado os últimos meses do ano passado. Como esse indicador se caracterizou por forte volatilidade em 2016, a recuperação deve ser encarada com cautela. Mas não pode nem deve ser ignorada.

Esses sinais positivos tendem a se reforçar ao longo de 2017 via seus reflexos sobre indicadores como taxa de câmbio e risco país e sobre a própria política econômica. É o caso do afrouxamento monetário sendo conduzido pelo Banco Central. Assim, o comunicado que acompanhou a redução de 0,75 pp da taxa SELIC na reunião do Copom de janeiro, maior que a esperada pela mediana dos analistas, trouxe indicações de que futuros cortes poderão ser da mesma ordem de grandeza. Consequentemente, existe a perspectiva de que a taxa no fim do ano possa chegar a 9,5%.

Evidentemente, nada disso garante que a crise tenha acabado ou que a recuperação econômica seja uma certeza. Como em qualquer balanço de riscos, também é preciso considerar os negativos. Na nossa avaliação existe um que se destaca e não pode ser desprezado: o de que a proposta de reforma da Previdência não seja aprovada nos moldes propostos pelo Executivo. Melhor dizendo, que seja aprovada com partes importantes diluídas. Mesmo sabendo que a reforma da Previdência não é solução única para a crise fiscal a curto e médio prazos, o caráter simbólico de sua aprovação é crucial pela sinalização aos agentes econômicos da disposição do meio político de perseguir o ajuste fiscal de forma consistente. Naturalmente, vale também o outro lado da moeda: se a reforma for aprovada nos moldes em que foi enviada ao Congresso, o impacto sobre a confiança será muito positivo, reforçando o processo de gradual aceleração do crescimento previsto para o ano.

Outros impulsos dessa natureza virão se o ímpeto reformista do governo federal mantiver a intensidade atual, como se deduz da divulgação de preparativos de medidas para uma reforma tributária. Tanto mais necessária quando se observa que a situação de estados e municípios, fortemente endividados e em crise fiscal, exigirá do governo central ações que possivelmente impliquem aumento do endividamento federal. Logo, colocará um ônus adicional no ajuste. Mesmo reconhecendo que o objetivo da reforma não é elevar a carga tributária, é de se esperar que contribua para melhorar a eficiência do sistema tributário e, por esta via, alivie as contas públicas.

Um segundo risco relevante vem das ações da nova administração dos EUA, cujas primeiras medidas indicam considerável turbulência global à frente. No entanto, poucos analistas se arriscam a prever se os impactos econômicos das medidas a serem tomadas serão positivos para o Brasil ou não. É aguardar para ver.

Veja o boletim completo aqui.

* Com periodicidade mensal, o Boletim Macro IBRE/FGV contempla estatísticas, projeções e análises dos aspectos mais relevantes da economia brasileira.

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